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Blog do Léo Ribeiro![]() Sobre nossa postagem de ontem fazendo referência a criação e a oficialização da bandeira da República do Piratini, nosso amigo e leitor Voni Santos nos envia o seguinte comentário: Na verdade a versão farrapa da bandeira do RS tem origem na nação Bantu (africana) e de inspiração artiguista. A verdadeira origem da bandeira do RS: http://nacion-bantu-oriental.blogspot.com.br/ Uma resenha do que fala o citado site: La primera insurrección de los esclavos de la Banda Oriental, fue en 1795, 1801 y luego en 1803 donde un grupo de esclavos rompió la sujeción a sus amos y se dirigió a las costas del río Yi, al Monte Grande, donde fundaron una Comunidad Negra Independiente a la que llamaban nación Bantú del Hum (río Negro) en Uruguay. Hum chonik (gente negra en charrúa) Kamba yvypóra (gente negra en guaraní) Los colores que representaban a los afrouruguayos eran el verde, amarillo y rojo que eran utilizado por los negros de Kikongo. Esto mismo colores fueron elegido para la bandera de la Nación Gaucha de la Banda Charrúa o Banda Oriental y por último terminado siendo los colores de la bandera de la República Riograndese hoy estado de Río Grande do Sul. La bandera gaucha fue creada con el rojo y verde portugues, y el rojo y amarillo español. Para simbolizar las dos madres patrias blancas, pero además simbolizaba la madre patria de la Nación Charrúa representada por el verde y rojo. Y los colores del Africa en especial de la nación Bantú que había realizado movimientos revolucionarios en Brasil y el Uruguay. La bandera fue utilizada por los gauchos en su lucha contra el imperio de Brasil contando con blancos, negros, indios y mestizos siendo apoyados por el ejercito gaucho uruguayo en forma indirecta. Los negros africanos llegaron al Río de la Plata a Montevideo pues era el único puerto de entrada de esclavos a dicha zona. Los primeros negros que llegaron a la Banda Oriental fueron introducidos al fundar la Colonia del Sacramento el Reino de Portugal en enero del 1680 Portugal fue la madre patria de la mayoría Banda Oriental con el Reino de España. En Montevideo la penetración de buques negreros, en forma sistemática, puede situarse en el período que va desde 1743 a 1814, quienes hablaban su idioma original y el portugues La mayoría de las naciones llegadas a Montevideo eran de etnia y cultura Bantú. Bantú significa gente "nosotros la gente" como Chonik nombre verdadero de nuestros hermanos charruas. Chonik significa gente "nosotros la gente" Las Naciones que fueron sometidas al apresamiento por parte de los negreros e invasores blancos fueron: Sierra Leona, Guinea, Cabinda, Kenia, Loanda, (hoy Camerún), Angola y el Congo. |
sábado, 31 de dezembro de 2016
SOBRE A CRIAÇÃO DA NOSSA BANDEIRA
sexta-feira, 30 de dezembro de 2016
Sociedades Indígenas
Os indígenas
do Rio Grande do Sul, no período anterior à colonização portuguesa, eram ágrafos
transmitindo suas tradições e costumes através das lendas, mitos e rituais
religiosos, com exceção de uma parcela de guaranis mbyás que viviam nas reduções
alfabetizados pelos missionários jesuítas. Os grupos indígenas jês, pampianos e
guaranis povoaram o RS antes da ocupação européia.
As expansões povoadoras espanhola e portuguesa articularam-se de maneiras diferentes com o espaço indígena. No oeste do Rio Grande do Sul os missionários ergueram reduções com o objetivo de transformar os índios em cristãos e em súditos do rei da Espanha.
Os bandeirantes, em busca de mão-de-obra para a área de cultivo de cana-de-açúcar no litoral do Brasil, deixaram um rastro de sangue e de contágios de doenças européias entre os nativos jês e guaranis. A leste, os luso-brasileiros desencadearam o processo se povoamento através de sesmarias, transformadas em fazendas de criação de gado. Na zona da Campanha os luso-brasileiros aproveitaram o índio pampiano como soldado, peão e tropeiro. A mestiçagem foi fator dominante para o desaparecimento das culturas indígenas.
Cultura jê
Na região do Planalto Brasileiro Meridional viviam os jês, divididos em parcialidades denominadas guaianás, coroados, pinarés, ibijaras, caáguas, gualachos, botocudos e xocléns.
As parcialidades jês habitavam em aldeias de cinco a seis cabanas, com 20 a 25 famílias, dirigidas por um chefe que praticava feitiçaria. Um feiticeiro temido atuava em diversas aldeias, comunicando-se com os espíritos e curando doenças.
Os jês organizavam-se em dois clãs exogâmicos: o clã da lua, que era de guerreiros, e o clã do sol, formado por caçadores. O clã da lua dividia-se na metade votoro e na metade canheru. O clã do sol era formado pelas metades aniqui e camé. O chefe do clã dava licença para a mulher casar com o rapaz que ela escolheu, segundo as relações de parentesco. O homem podia dispor de sua mulher trocando-a ou emprestando-a por um objeto. Paradoxamente exigia-se fidelidade conjugal, sendo o adultério punido com a morte a flechadas, tanto o homem quanto a mulher.
Quando a mulher estava perto de dar a luz, o homem construía um pequeno rancho, na extremidade da aldeia, onde ela permanecia sozinha até após o parto. Depois do quarto ou quinto filho a mulher era esterilizada por uma beberagem.
A terra pertencia à comunidade, com território de caça marcado. Organizavam a caçada em grupo, tendo o cuidado de matar apenas os machos e de mudar o lugar de caça a cada dois anos. Os jês eliminavam quem entrasse armado em seu território de caça. Por isto reagiram contra os colonos alemães e italianos que matavam animais indiscriminadamente e por esporte.
O casal realizava a coleta de pinhão, transformando-o em farinha. Cada aldeia possuía seu pinheiral, não permitindo que índios de outras aldeias coletassem pinhão. Tal alto gerava guerra de extermínio entre moradores da aldeia que invadiu o pinheiral. A coleta de mel era comunitária, cada homem recebia uma vasilha de outra família. No fim de tarde os homens se reuniam junto a aldeia, entrando todos ao mesmo tempo e entregando o mel à dona do pote.
Praticavam a agricultura rudimentar. O homem preparava o terreno pela coivara e a mulher plantava e colhia. Cultivavam o milho, a mandioca, a abóbora e a batata-doce.
Exímios costeiros, os jês usavam diversas fibras vegetais, inclusive o caraguatá para tecerem túnicas para as mulheres.
Cuidavam da limpeza corporal e enfeitavam-se com penas, penteados complicados e com pintura corporal que identificava o grupo, o clã, a idade e o sexo. Os homens furavam o lábio inferior para colocar o batoque, uma rodela de madeira.
Andavam nus da cabeça aos pés, os homens traziam uma cinta larga em volta dos quadris, formada de cordões das fibras de tucum ou da urtiga brava.
O grupo realizava o controle social punindo o homem faltoso com a expulsão temporária da choça comum ou designando-lhes tarefas femininas. A mulher faltosa era entregue a outro homem como punição. A mulher jê até hoje é mais agressiva que o homem, chegando a bater no marido que não reage.
Acreditavam em Maré, Deus criador e civilizador. Consideravam o sol e a lua como protetores de colheita, de puberdade e da procriação. A alma do morto, chamada de acupli, podia encostar-se em alguém, trazendo-lhes doenças e até loucura. Enterravam o morto em posição fetal num buraco protegido por lajes de pedra ou ramos de árvore, sem contato com a terra, junto com vasilha de água, cães e armas.
Os coroados, fugindo dos brancos e dos seus inimigos botocudos construíam seus ranchos no alto dos morros, no meio de pinheirais. O chefe principal designava os lugares das aldeias que lhe eram subordinadas. Só o chefe principal possuía várias mulheres, dispondo delas para trocas de objetos, mas sempre ficando com os filhos. Se o chefe principal brigasse com outro subordinado, iria perseguir os dissidentes até o extermínio. Só restava ao grupo dissidente viver se escondendo e correndo pelas matas. Os homens vencidos eram mortos, poupando-se apenas as mulheres e crianças.
As epidemias de origem européia e africana e a ação dos bugreiros destruíram os jês. Os bugreiros, matadores profissionais que recebiam pagamento por índios mortos, provocaram o vazio demográfico indígena nas trilhas das tropas de gado. Levas de indígenas, corridos pelos cafeicultores de São Paulo, chegaram ao Rio Grande do Sul no final do Século XIX. Novamente os bugreiros agiram nas áreas de imigração de Maratá, Taquara do Mundo Novo, Colônia São Pedro, Erechim e Erebango na limpeza étnica, a fim de que as terras estivessem desocupadas para o uso de imigrantes europeus. Em 1882 Telêmaco Morocines Borba reuniu os índios de idioma e deu-lhes o nome de caingangues (habitantes do mato).
Colocaram os índios caingangues em reservas, administradas pela FUNAI. Colonos, com a conivência dos índios, passaram a erguer casas e plantarem lavouras de milho, até que em maio de 1978 os caingangues se revoltaram sob a liderança do cacique Xangré e expulsaram os posseiros, num total de 350 famílias, que foram recolocadas no Mato Grosso.
Cultura pampiana
Na zona de campanha predominavam os índios de fala quíchuam divididos nas parcialidades charruas, minuanos, yarós, guenoas e chanás. Formavam famílias extensas que moravam em toldos cobertos de esteiras, substituídas por couro com a chegada do gado europeu. Só em tempos de guerra é que escolhiam temporariamente um chefe. Erigiam os toldos junto a banhados onde havia abundância de aves aquáticas, peixes e crustáceos. Complementavam a alimentação com a caça e com a coleta de frutos e mel. Não se dedicavam ao cultivo plantas. Vagavam de um lugar para outro em busca de caça, levando consigo as mulheres e filhos. As mulheres seguiam a pé, carregando tudo o que pertencia à família. Exímios caçadores usavam lanças, flechas, tacapes, rompe-cabeças, boleadeiras e pedras lanças por fundas. Pescavam com rede e com flechas. Usavam boleadeiras para caçar aves aquáticas, no momento em que elas alçavam o vôo. A introdução do gado europeu modificou a vida doa pampianos que se transformaram em exímios cavaleiros e passaram a se alimentar do gado vacum e cavalar.
Praticavam a poligamia e quando a mulher envelhecia, tomavam uma mais jovem. O homem não se importava se a china (mulher) tivesse relações com outro. Trocavam a mulher por qualquer objeto. Os homens se adornavam com tatuagens, pintura corporal e plumas. Andavam despidos ou enrolavam o corpo com o quillapis, manto com couros costurados com tento. Usavam botas de garrão de potro. Em contato com os espanhóis, vestiam o poncho, o chiripá e cobriam com chapéu de couro de “barriga de burro”. Contratados como peões ou tropeiros, adotaram com indumentária a ceroula com renda de crivo, chiripá, robessor, colete, camisa, e chapéu de copa alta. Em contato com os europeus, as mulheres passaram a vestir uma túnica de algodão.
Conseguiam a erva-mate com os guaranis, bebendo o mati numa cuia e sem bomba, mastigando a erva.
Acreditavam que toda a pessoa tem um espírito guia que se revela quando o índio trespassava os braços com varetas de taquara e jejuava dentro de um buraco. Enterravam seus mortos em túmulos formados por pedras amontoadas no alto das coxilhas, colocando junto ao corpo a lança e as boleadeiras. O luto durava dez dias e as mulheres cortavam uma falange do dedo da mão em sinal de dor pela perda do parente.
Quando os caçadores retornavam ao toldo, deitavam-se para descansar enquanto as mulheres desencilhavam e lavavam os cavalos, buscavam lenha e cozinham a caça.
Missionários jesuítas atravessavam o rio Uruguai tentando catequizar as parcialidades charruas e minuanas, que não aceitaram viver em reduções. Missionários franciscanos, dominicanos e mercedários, oriundos de Buenos Aires, também tentaram reduzir os pampianos. Constituíram a primeira redução de charruas na ilha Vizcaíno, na confluência do rio Negro com o rio Uruguai, em 1626. A redução religiosa durou apenas dois anos. Na mesma época aldearam sem sucesso os chanás na missão de Santo Antônio. A redução de Santa Maria dos Guenoas, que seria mais um dos Sete Povos, também fracassou. A vida de caçador, a falta de organização comunitária mais complexa e de afinidades com a religião católica dificultaram a formação de missões com os pampianos.
Portugueses e espanhóis ocuparam as terras dos pampianos com fortalezas, vilas e estâncias: Colônia do Santíssimo Sacramento em 1680, estâncias dos Sete Povos a partir de 1682, fundação de San felipe de Montevidéu em 1726, São Pedro do Rio Grande, estâncias de espanhóis e de portugueses, diminuindo o espaço dos charruas e minuanos, que passaram a formar os maloneses para pilhagem das estâncias e rapto de mulheres e crianças.
Empurrados pelas frentes de colonização em direção as cabeceiras do rio Negro e para a região entre os rios Quarai e Quequai, os charruas se uniram aos minuanos. Em 1811 e 1820 os charruas e minuanos participaram como soldados das tropas de José Gervásio Artigas. As constantes campanhas dos espanhóis contra as chamadas nações bárbaras, denominadas de guerra dos charruas, destruíram a população indígena da Banda Oriental do Uruguai. Os remanescentes se refugiaram, em 1832, do lado sul-rio-grandense, incorporando-se à tropa de Bento Manuel Ribeiro ou como peões de estâncias.
Os pampianos abrigavam em seus toldos os foragidos, os desertores e contrabandistas de origem portuguesa, espanhola ou africana, não se importavam que suas chinas se unissem com os fugitivos, mesmo temporariamente. Esse costume facilitou a formação do grupo social chamado de gaudério ou gaúcho.
Os pampianos legaram vários vocábulos que ainda são usados na linguagem coloquial do Rio Grande do Sul: cancha, china, chiripá, poncho, guacho, charque, chasque, chiru, guaiaca, guampa, guasca, inhapa, lechiguana, mate, pampa, tambo e vincha.
Cultura Guarani
Os guaranis mbyás, vindos do Paraguai há mais de dois mil anos conquistaram o vale do rio Uruguai, subindo por seus afluentes. Do vale do rio Ibicuí atingiram a depressão do rio Jacuí e seus afluentes. Na época da evangelização os missionários jesuítas chamavam de Chapê, o caminho, a região entre os rios Jaguarí, Uruguai e Ibicuí. Denominavam os índios que aí habitavam de índios do Chapê, como indicativo de índio de um lugar, que passou a ser denominado de Tapes. No século XIX a denominação de topônimo deslocou-se para junto da Laguna dos Patos.
Os guaranis caracterizavam-se pelo nhande-reko, o modo de ser em relação ao espaço geográfico chamado teko-hã, onde se vive. Esse espaço geográfico e cultural era formado pela aldeia (tetami), casas (coty), roças (co), caminhos (chapê), caminho da roça (Chapecó) e mato (caa). Viviam em aldeias com várias casas dispostas em círculo, no centro erguiam a casa dos homens. Cada clã ocupava uma casa de forma alongada, com porta para homens e outra para as mulheres. Dormiam em redes e guardavam objetos num jirau, sentavam em banquinhos ou esteiras, colocavam os grãos ou líquidos em potes de cerâmica ou em porongos.
Os guaranis praticavam agricultura especializada em clareiras abertas com a queima das árvores e arbustos. Esta preparação chamava-se de coivara. Usavam várias clareiras com a roça em estágios diferentes de plantação, maturação e colheita, deixando sempre uma com capoeira para a recuperação do solo.
O homem fazia a coivara e, com um bastão, praticava furos no solo para que a mulher semeasse ou plantasse. Embora trabalhassem em grupo, cada família tinha sua plantação. Cultivavam milho, mandioca, feijão, abóbora, batata-doce, amendoim, fumo e algodão.
Coletavam a erva-mate e frutos de plantas nativas. Pescavam com redes e flechas. A caça era comunitária e o matador do animal repartia a carne entre os demais caçadores. Os mbyás armavam-se de arco, flechas, lança e tacape.
O Page era encarregado de transmitir o teko-yma, o proceder antigo, pois os mbyás executavam todos os atos do cotidiano com o ritualismo que mantinha a ordem cósmica, como a primeira pintura corporal, a poligamia dos chefes, o couvade, a saudação lacrimosa, a educação dos filhos, os sonhos proféticos, o canibalismo e o puxirum ou mutirão.
Os clãs estavam divididos em metades. Os chefes clãs, cós os chefes das metades, participavam do Conselho da aldeia que decidia sobre migração, caçada, guerra e paz. O Page também participava do Conselho. Havia também o morubixava que mantinha a ordem na aldeia, atuando como elemento de conciliação. O taxauá era um chefe provisório de caçada, ataque bélico ou de pescaria.
Os homens de adornavam mais que as mulheres, tatuando e pintando o corpo, usando colares, pulseiras de sementes, contas e plumas. Furavam o lábio inferior para colocar o tembetá. A pintura corporal tinha significados simbólicos, sendo característica de cada clã, metade do clã, sexo, idade e posição dentro do grupo.
Havia a poligamia usualmente dos chefes, que precisavam de mulheres que trabalhassem para darem comida e objetos aos seus subordinados, mantendo assim a chefia. Davam suas mulheres a outros homens em troca de objetos ou em penhor de uma aliança. Esse costume facilitou a mestiçagem com os brancos.
Os guaranis praticavam o couvade ou choco como ritual de proteção ao recém nascido. Quando a mulher dava à luz, o homem não comia carne durante 15 dias, permanecendo de resguardo na rede. A mulher era colocada numa pequena choça, fora da aldeia onde tinha o parto sozinha. Ela cortava o cordão umbilical, lavava a criança e depois levava para o pai, que aguardava na rede. Se ele pegasse a criança, estava reconhecendo-lhe como filho. A mulher ia logo trabalhar na roça a fim de enganar os maus espíritos, que poderiam se apossar da criança. Era também uma maneira de selecionar as mulheres mais resistentes.
Quando chegava um hóspede na aldeia guarani, as mulheres praticavam a saudação lacrimosa. O recém chegado sentava na rede enquanto as mulheres choravam com grande alarido, depois enxugavam as lágrimas e davam boas vindas ao viajante. Só então os homens da aldeia falavam com o hóspede.
O menino até os oito anos permanecia junto da mãe, depois ia para a casa dos homens, quando passava a aprender com o pai a pescar e a caçar. Os homossexuais do grupo davam a iniciação sexual ao menino. A menina permanecia junto à mãe até o matrimônio. Durante a primeira menstruação a menina ficava recolhida e não podia ver animal e homem. As lésbicas davam-lhe a iniciação sexual. Após a primeira menstruação, a moça tinha liberdade sexual, desde que seus parentes fossem indenizados. Não batiam, não gritava e nem castigavam os filhos.
Acreditavam que um banho frio pela manhã prolongava a vida. Ao acordar, o guarani contava seus sonhos, em busca de uma interpretação, pois acreditava que eles eram proféticos. Praticavam o canibalismo, comendo os prisioneiros de guerra por ato de vingança, não escapando os velhos, mulheres e crianças.
O puxirum ou mutirão era o trabalho em grupo para ajudar na construção da roça ou de uma casa. Nesse caso, o beneficiado pagava os participantes com bebida alcoólica.
Algumas parcialidades guaranis recolhiam os ossos de seus mortos, colocando-os em igaçaba, grande pote em que guardavam grãos e que passava a servir de uma funerária. Acreditavam que o anguera, o espírito do morto, podia escolher três caminhos: reencarnar numa criança que nascia, encostar-se em alguém lhe dando loucura ou doença ou seguir para a casa de Monan, onde não faltariam calor, água e caça. Acreditavam que a alma possui três aspectos, o da vida, do sonho e de um animal. Criam que existia um paraíso na terra, o Yvimaray, a terra sem males. O pagé entrava em transe e revelava onde ficava o Yvimaray, levando a aldeia a migrar. Os mbyás consideram a terra imperfeita, ciclicamente destruída pelo fogo ou pela água, surgindo uma nova vida. Quando os europeus chegaram, os índios consideraram como um sinal de que um novo mundo começava, com a destruição do antigo.
Nhanderu, o primeiro e uno vivia na escuridão, iluminando apenas pela luz de seu coração. Um colibri alimentava Nhanderu, que por seu amor criou as palavras-almas. Algumas delas erram e foram lançadas na terra, dando origem aos homens imperfeitos.
A teogogia guarani compunha-se de Monan, o Deus criador e pai de Maíramoran, que os homens queimaram numa fogueira e de sua cabeça saiu o trovão (Tupã), que por vingança queimou com o fogo o céu e a terra imperfeita, salvando-se apenas Irin-majé e sua esposa que povoaram a terra. Em outra visão Irin-majé, filho de Monan, é a chuva que fertiliza a terra. O duplo de Monan é Sumé, o civilizador que ensinou a agricultura. Em outra versão, Sumé é filho de Irin-Majé. De Sumé nasceram os gêmeos Temendonaré, que deu os nomes às coisas que Monan criou, fazendo com que elas passassem a ser, e Aricoute ciumento que mandou o dilúvio. Temendonaré ensinou os homens a sobreviverem na grande enchente, refugiando-se no alto de palmeiras. Outra versão afirma que se salvo um índio e sua irmã grávida, no alto de uma palmeira. Depois do dilúvio nasceu uma menina, que mais tarde se unirá ao tio materno, dando origem à humanidade.
Acreditavam no Curupira, este fantástico com os pés virados para trás, que protegia os animais fêmeas e filhotes. A Caapora (Caipora), pequeno e triste, que trazia a infelicidade para quem o visse. A Uiara (Iara), ente feminino que atraía o índio para o fundo do rio. O Yurupari (Jurupari) era o espírito do mal, o demônio.
Segundo a lenda da Mboytatá (Cobra de fogo), a chuva caía sem parar, dias e dias, aumentando os rios e lagoas, que transbordaram. Os animais procuraram abrigo nos lugares mais altos, mas faltava comida. De tanto animal morto, a Cobra (Mboy) só comia os olhos dos cadáveres. Comeu tanto que seu corpo começou a brilhar como se tivesse milhares de olhos. Transformou-se na Mboitatá, que a noite percorre os campos como um fogo azulado.
Os guaranis históricos desapareceram lentamente no Rio Grande do Sul, pelos ataques dos bandeirantes, pela guerra guaranítica, pela escravidão imposta pelo governo militar espanhol nas reduções depois da expulsão dos jesuítas, pelo recrutamento militar e, principalmente pela mestiçagem das mulheres mbyás com homens brancos.
Em 1756 portugueses e espanhóis invadiram os sete Povos, 1757, os portugueses levaram cerca de dez mil índios que foram assentados nas aldeias de São Nicolau de Rio Pardo, São Nicolau de Cachoeira e, em 1762, na de Nossa Senhora dos Anjos (Gravataí). Com a invasão luso-brasileira nos Sete Povos, 1801, os guaranis se dispersaram pelo Rio Grande do Sul, Uruguai e Argentina, trabalhando como peões, tropeiros e artesãos.
Os guaranis, existentes atualmente no Rio Grande do Sul, chegaram em fins do século XIX, corridos pelos cafeicultores e pelas frentes de colonização no Paraná e Santa Catarina. Alguns grupos menores são oriundos do Paraguai.
Na linguagem coloquial do Rio Grande do Sul há vários termos de origem guarani: aguapé, araçá, araponga, aroeira, biboca, biriva, boçoroca, caboclo, capão, capim, capivara, capoeira, Che, cutucar, cipó, cuia, goiaba, gravatá, guaraxaim, guri, jacaré, jaguar, jararaca, jirau, joá, lambari, mabira, marica, micuim, perereca, perau, peteca, piá, pitanga, tapera, taquara, tatu, tiririca e urubu. Outra herança cultura é o uso da erva-mate (caá-iari), na forma de chimarrão (caá-iró). Se examinarmos os mapas do Paraguai, Argentina, Uruguai e Rio Grande do Sul, veremos que predominam topônimos guaranis; Taquari, Jacuí, Itacolomi, Itapuã, Paraná, Jaguari.
Referência: Livro História do Rio Grande do Sul de Moacyr Flores
Fonte: blog Cantinho Gaúcho, de Carolina Bouvie
As expansões povoadoras espanhola e portuguesa articularam-se de maneiras diferentes com o espaço indígena. No oeste do Rio Grande do Sul os missionários ergueram reduções com o objetivo de transformar os índios em cristãos e em súditos do rei da Espanha.
Os bandeirantes, em busca de mão-de-obra para a área de cultivo de cana-de-açúcar no litoral do Brasil, deixaram um rastro de sangue e de contágios de doenças européias entre os nativos jês e guaranis. A leste, os luso-brasileiros desencadearam o processo se povoamento através de sesmarias, transformadas em fazendas de criação de gado. Na zona da Campanha os luso-brasileiros aproveitaram o índio pampiano como soldado, peão e tropeiro. A mestiçagem foi fator dominante para o desaparecimento das culturas indígenas.
Cultura jê
Na região do Planalto Brasileiro Meridional viviam os jês, divididos em parcialidades denominadas guaianás, coroados, pinarés, ibijaras, caáguas, gualachos, botocudos e xocléns.
As parcialidades jês habitavam em aldeias de cinco a seis cabanas, com 20 a 25 famílias, dirigidas por um chefe que praticava feitiçaria. Um feiticeiro temido atuava em diversas aldeias, comunicando-se com os espíritos e curando doenças.
Os jês organizavam-se em dois clãs exogâmicos: o clã da lua, que era de guerreiros, e o clã do sol, formado por caçadores. O clã da lua dividia-se na metade votoro e na metade canheru. O clã do sol era formado pelas metades aniqui e camé. O chefe do clã dava licença para a mulher casar com o rapaz que ela escolheu, segundo as relações de parentesco. O homem podia dispor de sua mulher trocando-a ou emprestando-a por um objeto. Paradoxamente exigia-se fidelidade conjugal, sendo o adultério punido com a morte a flechadas, tanto o homem quanto a mulher.
Quando a mulher estava perto de dar a luz, o homem construía um pequeno rancho, na extremidade da aldeia, onde ela permanecia sozinha até após o parto. Depois do quarto ou quinto filho a mulher era esterilizada por uma beberagem.
A terra pertencia à comunidade, com território de caça marcado. Organizavam a caçada em grupo, tendo o cuidado de matar apenas os machos e de mudar o lugar de caça a cada dois anos. Os jês eliminavam quem entrasse armado em seu território de caça. Por isto reagiram contra os colonos alemães e italianos que matavam animais indiscriminadamente e por esporte.
O casal realizava a coleta de pinhão, transformando-o em farinha. Cada aldeia possuía seu pinheiral, não permitindo que índios de outras aldeias coletassem pinhão. Tal alto gerava guerra de extermínio entre moradores da aldeia que invadiu o pinheiral. A coleta de mel era comunitária, cada homem recebia uma vasilha de outra família. No fim de tarde os homens se reuniam junto a aldeia, entrando todos ao mesmo tempo e entregando o mel à dona do pote.
Praticavam a agricultura rudimentar. O homem preparava o terreno pela coivara e a mulher plantava e colhia. Cultivavam o milho, a mandioca, a abóbora e a batata-doce.
Exímios costeiros, os jês usavam diversas fibras vegetais, inclusive o caraguatá para tecerem túnicas para as mulheres.
Cuidavam da limpeza corporal e enfeitavam-se com penas, penteados complicados e com pintura corporal que identificava o grupo, o clã, a idade e o sexo. Os homens furavam o lábio inferior para colocar o batoque, uma rodela de madeira.
Andavam nus da cabeça aos pés, os homens traziam uma cinta larga em volta dos quadris, formada de cordões das fibras de tucum ou da urtiga brava.
O grupo realizava o controle social punindo o homem faltoso com a expulsão temporária da choça comum ou designando-lhes tarefas femininas. A mulher faltosa era entregue a outro homem como punição. A mulher jê até hoje é mais agressiva que o homem, chegando a bater no marido que não reage.
Acreditavam em Maré, Deus criador e civilizador. Consideravam o sol e a lua como protetores de colheita, de puberdade e da procriação. A alma do morto, chamada de acupli, podia encostar-se em alguém, trazendo-lhes doenças e até loucura. Enterravam o morto em posição fetal num buraco protegido por lajes de pedra ou ramos de árvore, sem contato com a terra, junto com vasilha de água, cães e armas.
Os coroados, fugindo dos brancos e dos seus inimigos botocudos construíam seus ranchos no alto dos morros, no meio de pinheirais. O chefe principal designava os lugares das aldeias que lhe eram subordinadas. Só o chefe principal possuía várias mulheres, dispondo delas para trocas de objetos, mas sempre ficando com os filhos. Se o chefe principal brigasse com outro subordinado, iria perseguir os dissidentes até o extermínio. Só restava ao grupo dissidente viver se escondendo e correndo pelas matas. Os homens vencidos eram mortos, poupando-se apenas as mulheres e crianças.
As epidemias de origem européia e africana e a ação dos bugreiros destruíram os jês. Os bugreiros, matadores profissionais que recebiam pagamento por índios mortos, provocaram o vazio demográfico indígena nas trilhas das tropas de gado. Levas de indígenas, corridos pelos cafeicultores de São Paulo, chegaram ao Rio Grande do Sul no final do Século XIX. Novamente os bugreiros agiram nas áreas de imigração de Maratá, Taquara do Mundo Novo, Colônia São Pedro, Erechim e Erebango na limpeza étnica, a fim de que as terras estivessem desocupadas para o uso de imigrantes europeus. Em 1882 Telêmaco Morocines Borba reuniu os índios de idioma e deu-lhes o nome de caingangues (habitantes do mato).
Colocaram os índios caingangues em reservas, administradas pela FUNAI. Colonos, com a conivência dos índios, passaram a erguer casas e plantarem lavouras de milho, até que em maio de 1978 os caingangues se revoltaram sob a liderança do cacique Xangré e expulsaram os posseiros, num total de 350 famílias, que foram recolocadas no Mato Grosso.
Cultura pampiana
Na zona de campanha predominavam os índios de fala quíchuam divididos nas parcialidades charruas, minuanos, yarós, guenoas e chanás. Formavam famílias extensas que moravam em toldos cobertos de esteiras, substituídas por couro com a chegada do gado europeu. Só em tempos de guerra é que escolhiam temporariamente um chefe. Erigiam os toldos junto a banhados onde havia abundância de aves aquáticas, peixes e crustáceos. Complementavam a alimentação com a caça e com a coleta de frutos e mel. Não se dedicavam ao cultivo plantas. Vagavam de um lugar para outro em busca de caça, levando consigo as mulheres e filhos. As mulheres seguiam a pé, carregando tudo o que pertencia à família. Exímios caçadores usavam lanças, flechas, tacapes, rompe-cabeças, boleadeiras e pedras lanças por fundas. Pescavam com rede e com flechas. Usavam boleadeiras para caçar aves aquáticas, no momento em que elas alçavam o vôo. A introdução do gado europeu modificou a vida doa pampianos que se transformaram em exímios cavaleiros e passaram a se alimentar do gado vacum e cavalar.
Praticavam a poligamia e quando a mulher envelhecia, tomavam uma mais jovem. O homem não se importava se a china (mulher) tivesse relações com outro. Trocavam a mulher por qualquer objeto. Os homens se adornavam com tatuagens, pintura corporal e plumas. Andavam despidos ou enrolavam o corpo com o quillapis, manto com couros costurados com tento. Usavam botas de garrão de potro. Em contato com os espanhóis, vestiam o poncho, o chiripá e cobriam com chapéu de couro de “barriga de burro”. Contratados como peões ou tropeiros, adotaram com indumentária a ceroula com renda de crivo, chiripá, robessor, colete, camisa, e chapéu de copa alta. Em contato com os europeus, as mulheres passaram a vestir uma túnica de algodão.
Conseguiam a erva-mate com os guaranis, bebendo o mati numa cuia e sem bomba, mastigando a erva.
Acreditavam que toda a pessoa tem um espírito guia que se revela quando o índio trespassava os braços com varetas de taquara e jejuava dentro de um buraco. Enterravam seus mortos em túmulos formados por pedras amontoadas no alto das coxilhas, colocando junto ao corpo a lança e as boleadeiras. O luto durava dez dias e as mulheres cortavam uma falange do dedo da mão em sinal de dor pela perda do parente.
Quando os caçadores retornavam ao toldo, deitavam-se para descansar enquanto as mulheres desencilhavam e lavavam os cavalos, buscavam lenha e cozinham a caça.
Missionários jesuítas atravessavam o rio Uruguai tentando catequizar as parcialidades charruas e minuanas, que não aceitaram viver em reduções. Missionários franciscanos, dominicanos e mercedários, oriundos de Buenos Aires, também tentaram reduzir os pampianos. Constituíram a primeira redução de charruas na ilha Vizcaíno, na confluência do rio Negro com o rio Uruguai, em 1626. A redução religiosa durou apenas dois anos. Na mesma época aldearam sem sucesso os chanás na missão de Santo Antônio. A redução de Santa Maria dos Guenoas, que seria mais um dos Sete Povos, também fracassou. A vida de caçador, a falta de organização comunitária mais complexa e de afinidades com a religião católica dificultaram a formação de missões com os pampianos.
Portugueses e espanhóis ocuparam as terras dos pampianos com fortalezas, vilas e estâncias: Colônia do Santíssimo Sacramento em 1680, estâncias dos Sete Povos a partir de 1682, fundação de San felipe de Montevidéu em 1726, São Pedro do Rio Grande, estâncias de espanhóis e de portugueses, diminuindo o espaço dos charruas e minuanos, que passaram a formar os maloneses para pilhagem das estâncias e rapto de mulheres e crianças.
Empurrados pelas frentes de colonização em direção as cabeceiras do rio Negro e para a região entre os rios Quarai e Quequai, os charruas se uniram aos minuanos. Em 1811 e 1820 os charruas e minuanos participaram como soldados das tropas de José Gervásio Artigas. As constantes campanhas dos espanhóis contra as chamadas nações bárbaras, denominadas de guerra dos charruas, destruíram a população indígena da Banda Oriental do Uruguai. Os remanescentes se refugiaram, em 1832, do lado sul-rio-grandense, incorporando-se à tropa de Bento Manuel Ribeiro ou como peões de estâncias.
Os pampianos abrigavam em seus toldos os foragidos, os desertores e contrabandistas de origem portuguesa, espanhola ou africana, não se importavam que suas chinas se unissem com os fugitivos, mesmo temporariamente. Esse costume facilitou a formação do grupo social chamado de gaudério ou gaúcho.
Os pampianos legaram vários vocábulos que ainda são usados na linguagem coloquial do Rio Grande do Sul: cancha, china, chiripá, poncho, guacho, charque, chasque, chiru, guaiaca, guampa, guasca, inhapa, lechiguana, mate, pampa, tambo e vincha.
Cultura Guarani
Os guaranis mbyás, vindos do Paraguai há mais de dois mil anos conquistaram o vale do rio Uruguai, subindo por seus afluentes. Do vale do rio Ibicuí atingiram a depressão do rio Jacuí e seus afluentes. Na época da evangelização os missionários jesuítas chamavam de Chapê, o caminho, a região entre os rios Jaguarí, Uruguai e Ibicuí. Denominavam os índios que aí habitavam de índios do Chapê, como indicativo de índio de um lugar, que passou a ser denominado de Tapes. No século XIX a denominação de topônimo deslocou-se para junto da Laguna dos Patos.
Os guaranis caracterizavam-se pelo nhande-reko, o modo de ser em relação ao espaço geográfico chamado teko-hã, onde se vive. Esse espaço geográfico e cultural era formado pela aldeia (tetami), casas (coty), roças (co), caminhos (chapê), caminho da roça (Chapecó) e mato (caa). Viviam em aldeias com várias casas dispostas em círculo, no centro erguiam a casa dos homens. Cada clã ocupava uma casa de forma alongada, com porta para homens e outra para as mulheres. Dormiam em redes e guardavam objetos num jirau, sentavam em banquinhos ou esteiras, colocavam os grãos ou líquidos em potes de cerâmica ou em porongos.
Os guaranis praticavam agricultura especializada em clareiras abertas com a queima das árvores e arbustos. Esta preparação chamava-se de coivara. Usavam várias clareiras com a roça em estágios diferentes de plantação, maturação e colheita, deixando sempre uma com capoeira para a recuperação do solo.
O homem fazia a coivara e, com um bastão, praticava furos no solo para que a mulher semeasse ou plantasse. Embora trabalhassem em grupo, cada família tinha sua plantação. Cultivavam milho, mandioca, feijão, abóbora, batata-doce, amendoim, fumo e algodão.
Coletavam a erva-mate e frutos de plantas nativas. Pescavam com redes e flechas. A caça era comunitária e o matador do animal repartia a carne entre os demais caçadores. Os mbyás armavam-se de arco, flechas, lança e tacape.
O Page era encarregado de transmitir o teko-yma, o proceder antigo, pois os mbyás executavam todos os atos do cotidiano com o ritualismo que mantinha a ordem cósmica, como a primeira pintura corporal, a poligamia dos chefes, o couvade, a saudação lacrimosa, a educação dos filhos, os sonhos proféticos, o canibalismo e o puxirum ou mutirão.
Os clãs estavam divididos em metades. Os chefes clãs, cós os chefes das metades, participavam do Conselho da aldeia que decidia sobre migração, caçada, guerra e paz. O Page também participava do Conselho. Havia também o morubixava que mantinha a ordem na aldeia, atuando como elemento de conciliação. O taxauá era um chefe provisório de caçada, ataque bélico ou de pescaria.
Os homens de adornavam mais que as mulheres, tatuando e pintando o corpo, usando colares, pulseiras de sementes, contas e plumas. Furavam o lábio inferior para colocar o tembetá. A pintura corporal tinha significados simbólicos, sendo característica de cada clã, metade do clã, sexo, idade e posição dentro do grupo.
Havia a poligamia usualmente dos chefes, que precisavam de mulheres que trabalhassem para darem comida e objetos aos seus subordinados, mantendo assim a chefia. Davam suas mulheres a outros homens em troca de objetos ou em penhor de uma aliança. Esse costume facilitou a mestiçagem com os brancos.
Os guaranis praticavam o couvade ou choco como ritual de proteção ao recém nascido. Quando a mulher dava à luz, o homem não comia carne durante 15 dias, permanecendo de resguardo na rede. A mulher era colocada numa pequena choça, fora da aldeia onde tinha o parto sozinha. Ela cortava o cordão umbilical, lavava a criança e depois levava para o pai, que aguardava na rede. Se ele pegasse a criança, estava reconhecendo-lhe como filho. A mulher ia logo trabalhar na roça a fim de enganar os maus espíritos, que poderiam se apossar da criança. Era também uma maneira de selecionar as mulheres mais resistentes.
Quando chegava um hóspede na aldeia guarani, as mulheres praticavam a saudação lacrimosa. O recém chegado sentava na rede enquanto as mulheres choravam com grande alarido, depois enxugavam as lágrimas e davam boas vindas ao viajante. Só então os homens da aldeia falavam com o hóspede.
O menino até os oito anos permanecia junto da mãe, depois ia para a casa dos homens, quando passava a aprender com o pai a pescar e a caçar. Os homossexuais do grupo davam a iniciação sexual ao menino. A menina permanecia junto à mãe até o matrimônio. Durante a primeira menstruação a menina ficava recolhida e não podia ver animal e homem. As lésbicas davam-lhe a iniciação sexual. Após a primeira menstruação, a moça tinha liberdade sexual, desde que seus parentes fossem indenizados. Não batiam, não gritava e nem castigavam os filhos.
Acreditavam que um banho frio pela manhã prolongava a vida. Ao acordar, o guarani contava seus sonhos, em busca de uma interpretação, pois acreditava que eles eram proféticos. Praticavam o canibalismo, comendo os prisioneiros de guerra por ato de vingança, não escapando os velhos, mulheres e crianças.
O puxirum ou mutirão era o trabalho em grupo para ajudar na construção da roça ou de uma casa. Nesse caso, o beneficiado pagava os participantes com bebida alcoólica.
Algumas parcialidades guaranis recolhiam os ossos de seus mortos, colocando-os em igaçaba, grande pote em que guardavam grãos e que passava a servir de uma funerária. Acreditavam que o anguera, o espírito do morto, podia escolher três caminhos: reencarnar numa criança que nascia, encostar-se em alguém lhe dando loucura ou doença ou seguir para a casa de Monan, onde não faltariam calor, água e caça. Acreditavam que a alma possui três aspectos, o da vida, do sonho e de um animal. Criam que existia um paraíso na terra, o Yvimaray, a terra sem males. O pagé entrava em transe e revelava onde ficava o Yvimaray, levando a aldeia a migrar. Os mbyás consideram a terra imperfeita, ciclicamente destruída pelo fogo ou pela água, surgindo uma nova vida. Quando os europeus chegaram, os índios consideraram como um sinal de que um novo mundo começava, com a destruição do antigo.
Nhanderu, o primeiro e uno vivia na escuridão, iluminando apenas pela luz de seu coração. Um colibri alimentava Nhanderu, que por seu amor criou as palavras-almas. Algumas delas erram e foram lançadas na terra, dando origem aos homens imperfeitos.
A teogogia guarani compunha-se de Monan, o Deus criador e pai de Maíramoran, que os homens queimaram numa fogueira e de sua cabeça saiu o trovão (Tupã), que por vingança queimou com o fogo o céu e a terra imperfeita, salvando-se apenas Irin-majé e sua esposa que povoaram a terra. Em outra visão Irin-majé, filho de Monan, é a chuva que fertiliza a terra. O duplo de Monan é Sumé, o civilizador que ensinou a agricultura. Em outra versão, Sumé é filho de Irin-Majé. De Sumé nasceram os gêmeos Temendonaré, que deu os nomes às coisas que Monan criou, fazendo com que elas passassem a ser, e Aricoute ciumento que mandou o dilúvio. Temendonaré ensinou os homens a sobreviverem na grande enchente, refugiando-se no alto de palmeiras. Outra versão afirma que se salvo um índio e sua irmã grávida, no alto de uma palmeira. Depois do dilúvio nasceu uma menina, que mais tarde se unirá ao tio materno, dando origem à humanidade.
Acreditavam no Curupira, este fantástico com os pés virados para trás, que protegia os animais fêmeas e filhotes. A Caapora (Caipora), pequeno e triste, que trazia a infelicidade para quem o visse. A Uiara (Iara), ente feminino que atraía o índio para o fundo do rio. O Yurupari (Jurupari) era o espírito do mal, o demônio.
Segundo a lenda da Mboytatá (Cobra de fogo), a chuva caía sem parar, dias e dias, aumentando os rios e lagoas, que transbordaram. Os animais procuraram abrigo nos lugares mais altos, mas faltava comida. De tanto animal morto, a Cobra (Mboy) só comia os olhos dos cadáveres. Comeu tanto que seu corpo começou a brilhar como se tivesse milhares de olhos. Transformou-se na Mboitatá, que a noite percorre os campos como um fogo azulado.
Os guaranis históricos desapareceram lentamente no Rio Grande do Sul, pelos ataques dos bandeirantes, pela guerra guaranítica, pela escravidão imposta pelo governo militar espanhol nas reduções depois da expulsão dos jesuítas, pelo recrutamento militar e, principalmente pela mestiçagem das mulheres mbyás com homens brancos.
Em 1756 portugueses e espanhóis invadiram os sete Povos, 1757, os portugueses levaram cerca de dez mil índios que foram assentados nas aldeias de São Nicolau de Rio Pardo, São Nicolau de Cachoeira e, em 1762, na de Nossa Senhora dos Anjos (Gravataí). Com a invasão luso-brasileira nos Sete Povos, 1801, os guaranis se dispersaram pelo Rio Grande do Sul, Uruguai e Argentina, trabalhando como peões, tropeiros e artesãos.
Os guaranis, existentes atualmente no Rio Grande do Sul, chegaram em fins do século XIX, corridos pelos cafeicultores e pelas frentes de colonização no Paraná e Santa Catarina. Alguns grupos menores são oriundos do Paraguai.
Na linguagem coloquial do Rio Grande do Sul há vários termos de origem guarani: aguapé, araçá, araponga, aroeira, biboca, biriva, boçoroca, caboclo, capão, capim, capivara, capoeira, Che, cutucar, cipó, cuia, goiaba, gravatá, guaraxaim, guri, jacaré, jaguar, jararaca, jirau, joá, lambari, mabira, marica, micuim, perereca, perau, peteca, piá, pitanga, tapera, taquara, tatu, tiririca e urubu. Outra herança cultura é o uso da erva-mate (caá-iari), na forma de chimarrão (caá-iró). Se examinarmos os mapas do Paraguai, Argentina, Uruguai e Rio Grande do Sul, veremos que predominam topônimos guaranis; Taquari, Jacuí, Itacolomi, Itapuã, Paraná, Jaguari.
Referência: Livro História do Rio Grande do Sul de Moacyr Flores
Fonte: blog Cantinho Gaúcho, de Carolina Bouvie
Quer saber o que é solidariedade? Gente que faz o bem, sem olhar a quem
Via Blog: ROGERIO BASTOS/FeedReader30/stylesheet/world_go.png)
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Durante o ano eles fazem o bem, sem olhar a quem. No encerramento
das atividades, no final do ano, saem anônimos, despejando solidariedade para
quem precisa.
Moradora de Canoas, região metropolitana de Porto Alegre, e cursando fisioterapia na Unisinos, Pâmela Maria Ianescoscki, 1ª Prenda da 12ªRT, encheu o carro de alimentos, roupas e, até mesmo um bolo, e rumou para um asilo, próximo de sua casa. Pâmela apareceu na RBS TV fazendo essa ação do bem e teve repercussão pelo estado. "Isso vem desde a minha infância e, quando entrei no movimento, vi que podia praticar isso a gente busca evidenciar isso cada vez mais" – disse Pâmela, ao repórter.
Campeã em tempo integral
Não muito longe dali, em Alvorada, a campeoníssima prenda do CTG Tiarayu (campeão do Enart 2016) e instrutora de grupos de base como o GAN Anita Garibaldi, de Encantado, CTG M’Bororé, de Campo Bom e PL Timbaúva, de Portão, Thaiane Dutra. “Eu estava procurando uma instituição para fazer donativos, tanto que alguns brinquedos eu levei em uma casa de crianças excepcionais. Mas acabou que lembrei o quanto existem crianças carentes em Alvorada. Pedi ajuda para uma amiga, se conhecia alguma instituição que ajudasse crianças carentes. Foi coisa do destino... Ela não ia conseguir fazer o natal das crianças, que ela faz todo ano, pois havia arrecadado pouco brinquedo e, eu, graças a Deus, pude ajudar” – conta Thaiane.
Os dias foram passando e, contando com a solidariedade de outros amigos, de diversos lugares como Santa Maria, Estância Velha e Campo Bom, Thaiane arrecadou mais de oitenta brinquedos, cuja maioria foi buscar pessoalmente, de ônibus ou de trem. “Contei com a ajuda até das pessoas na rua para carregar tudo até em casa, era muita coisa. Ainda bem que tem gente que ainda ajuda os outros né?” – concluiu.
O time caiu, mas a solidariedade ficou em alta
Em Arroio do Tigre o meu amigo colorado, médico e músico Mauro Giménez Olazar, que já foi diretor de música do MTG, incentivou a mobilização da comunidade da região centro serra para que fossem arrecadados materiais escolares para crianças carentes. "Tenho amigos de todas as cidades da região. Então, meus amigos do Tigre poderiam doar para o pessoal daqui, os de Sobradinho para as crianças de lá e assim, sucessivamente", comentou. A campanha deu certo e a arrecadação superou as expectativas. “Vamos trabalhar em conjunto com as secretarias de educação dos municípios porque, graças a Deus o número de kits ultrapassou todas as nossas expectativas” – comemora Mauro.
Bola na trave pode alterar o placar
“Tchê, tu sabe que passa o Enart a vida volta ao normal, né? Não se faz mais
regime, pode se voltar a jogar bola, sem medo de se machucar, ai como o pessoal
de CTG marca bastantes encontros com futebol e comilança, me veio a ideia de
convidar os amigos e arrecadar brinquedos pro natal”- conta Renato
Cavalheiro, do CTG Ronda Charrua.
Ao grupo de amigos juntou-se: Alexandre Brunetto, Rafa Martins, percussionista do grupo “Mas Bah” e o Bruno Mello (La Omerta, Buenas, Talagaço). Convidando o pessoal via redes sociais, em quatro dias conseguiram mobilizar quase 50 atletas, algo em torno de 100 pessoas ao redor dando força e levando presentes (gente do Alegrete, Caxias, Passo Fundo, Porto Alegre, Campo Bom...) totalizando quase 200 brinquedos, que foram entregues na Fundação de Assistência Social de Caxias do Sul. A força do tradicionalismo independente de ser Enart ou Vacaria, estancieiro ou primitivo. Após a arrecadação dos brinquedos fizeram “chutes na trave” para descontrair.
Tropilha solidária
Todo final de ano o CTG Tropilha Farrapa, de Lajeado, realiza alguma ação solidária. Este ano, depois de uma reportagem do jornal da cidade, “O Informativo”, sobre a Associação Simon Bolívar, de um bairro carente de Lajeado, o prendado da entidade escolheu a instituição para auxiliar. “No sábado do dia 10 de dezembro, ficamos um dia inteiro no Supermercado Imec, abordando as pessoas e estimulando-as a realizarem o bem. Arrecadamos cerca de 411 kg e visitamos a associação para entregar os donativos” – conta Jessica Herrera, 1ª Prenda do CTG. Esta instituição cuida dos filhos dos papeleiros, enquanto os pais trabalham. “Fomos recebidos pelas famílias e pela responsável de cuidar deles, Dona Sandra. Foi uma experiência única que nos deixou muitos legados, como valorizar o que temos e sempre pensar no próximo” – concluiu Jéssica.
Nada nesse mundo é por acaso
Tudo tem uma razão de ser. Paulo Gomes, músico, conhecido no Rio Grande por “Gago”, reside em uma zona rural de Aguas Claras, Viamão. “Quando meu marido foi aos Correios, ver se tinha algo para nós viu uma caixa de cartinhas das crianças da comunidade, então ele pegou uma destas cartinhas, esperou eu chegar do serviço para abrirmos juntos” – conta Francielle Barth. A cartinha era de um menino com problemas de saúde, tinha epilepsia. Escreveu uma cartinha para o Papai Noel contando sua triste história e pedindo um videogame. O casal não tinha condições de dar tal presente, mas acontece que durante uma conversa, uma pessoa conhecida comprou um game novo e moderno para seu filho e queria doar o antigo (play II). Fran e Gago rezaram e agradeceram a Deus a oportunidade de fazer aquele menino sorrir.
ENCRUZILHADA DO SUL - “Grupo de Cavaleiras de Trança e Espora promoveu a segunda cavalgada da lua cheia, no dia 13 de dezembro, quando arrecadamos brinquedos e alimentos não perecíveis para as crianças da casa de passagem de Encruzilhada do Sul. Entregamos no dia 18 de dezembro” – Maria Luiza Dammé Teixeira
INDEPENDÊNCIA - “O CTG Sentinela do Rio Grande fez doações de alimentos não perecíveis e materiais de higiene para famílias necessitadas, com a ajuda das invernadas artísticas” - Luisa Tormöhlen.
BENTO GONÇALVES – “O CTG Gaudério Serrano fez campanha solidária com os departamentos cultural e artístico levando o papai Noel na carroceria junto com as prendas da entidade fomos com uma caravana nos bairros entregar doces pras crianças de comunidades carentes. Além da campanha do alimento, que foi doado a paróquia São Roque para que distribuísse as famílias que a comunidade, levamos as crianças fazerem a entrega. Eles se mobilizaram e aprenderam desde cedo a serem solidários com o próximo” – Natália Rosa.
SÃO GABRIEL – “A CTM, juntamente com seus peões e prendas e
Dep. Cultural, em São Gabriel, fez o ‘Natal Solidário’ recolhendo alimentos não
perecíveis nos mercados da cidade, no primeiro sábado do mês, e entregou no
‘Abrigo Espirita Manuel Viana de Carvalho’, e na festa de encerramento do ano da
CTM, ao invés de trocar presentes, foi dado fraldas geriátricas e leite para
doarmos também para o abrigo” – Cátia Cavalheiro.
SAPUCAIA DO SUL – “Minha
família e alguns amigos, há um ano alimentamos, semanalmente, em média 40
moradores de rua. Mas, nesta época, reforçamos o cardápio deles com galeto e
salsichão assado, maionese, refrigerante e sobremesa. Também, levamos o Papai
Noel, cachorro quente, refrigerante e guloseimas em três lares de idosos. Nos
sentimos abençoados, por termos este sentimento de solidariedade nos 365
dias” - Simone Machado.
FLORES DA CUNHA – “No dia 26 de novembro o DTG Herança da
Tradição juntamente com alguns parceiros realizou uma Ação Solidária em prol ao
Lar da Velhice São Francisco de Assis. Foram arrecadados 70 Kg de alimentos não
perecíveis e mais de 400 itens de higiene e limpeza, além de presentes da lista
de pedidos dos idosos, publicada em rede social. Foram entregues dia 15/12 pelas
prendas e peões” – Stela Paim Lemos.
SÃO LEOPOLDO - "O GAN Ivi Maraé, de São Léo, entregou 150 kg de alimentos e 200 brinquedos em uma 'invasão' no bairro Rio dos Sinos e na Vila dos papeleiros. É o mínimo que fazemos para agradecer as bençãos que Deus nos dá" - Leandro Lautert.
Outras ações: Diego Deleon Vieira, em Porto Alegre. Eliete Miranda, em Viamão. Priscila Dias Ribeiro, Balneário Pinhal. PL Delfino Carvalho, em Cachoeira do Sul. Hospedaria Moresco de Chapecó-SC, mandado por Darlene Cardoso, 2ª Prenda Veterana de Santa Catarina. Rosane Donay, na Rede Solidária, em Porto Alegre.
Moradora de Canoas, região metropolitana de Porto Alegre, e cursando fisioterapia na Unisinos, Pâmela Maria Ianescoscki, 1ª Prenda da 12ªRT, encheu o carro de alimentos, roupas e, até mesmo um bolo, e rumou para um asilo, próximo de sua casa. Pâmela apareceu na RBS TV fazendo essa ação do bem e teve repercussão pelo estado. "Isso vem desde a minha infância e, quando entrei no movimento, vi que podia praticar isso a gente busca evidenciar isso cada vez mais" – disse Pâmela, ao repórter.
Campeã em tempo integral
Não muito longe dali, em Alvorada, a campeoníssima prenda do CTG Tiarayu (campeão do Enart 2016) e instrutora de grupos de base como o GAN Anita Garibaldi, de Encantado, CTG M’Bororé, de Campo Bom e PL Timbaúva, de Portão, Thaiane Dutra. “Eu estava procurando uma instituição para fazer donativos, tanto que alguns brinquedos eu levei em uma casa de crianças excepcionais. Mas acabou que lembrei o quanto existem crianças carentes em Alvorada. Pedi ajuda para uma amiga, se conhecia alguma instituição que ajudasse crianças carentes. Foi coisa do destino... Ela não ia conseguir fazer o natal das crianças, que ela faz todo ano, pois havia arrecadado pouco brinquedo e, eu, graças a Deus, pude ajudar” – conta Thaiane.
Os dias foram passando e, contando com a solidariedade de outros amigos, de diversos lugares como Santa Maria, Estância Velha e Campo Bom, Thaiane arrecadou mais de oitenta brinquedos, cuja maioria foi buscar pessoalmente, de ônibus ou de trem. “Contei com a ajuda até das pessoas na rua para carregar tudo até em casa, era muita coisa. Ainda bem que tem gente que ainda ajuda os outros né?” – concluiu.
O time caiu, mas a solidariedade ficou em alta
Em Arroio do Tigre o meu amigo colorado, médico e músico Mauro Giménez Olazar, que já foi diretor de música do MTG, incentivou a mobilização da comunidade da região centro serra para que fossem arrecadados materiais escolares para crianças carentes. "Tenho amigos de todas as cidades da região. Então, meus amigos do Tigre poderiam doar para o pessoal daqui, os de Sobradinho para as crianças de lá e assim, sucessivamente", comentou. A campanha deu certo e a arrecadação superou as expectativas. “Vamos trabalhar em conjunto com as secretarias de educação dos municípios porque, graças a Deus o número de kits ultrapassou todas as nossas expectativas” – comemora Mauro.
Bola na trave pode alterar o placar
“Tchê, tu sabe que passa o Enart a vida volta ao normal, né? Não se faz mais
regime, pode se voltar a jogar bola, sem medo de se machucar, ai como o pessoal
de CTG marca bastantes encontros com futebol e comilança, me veio a ideia de
convidar os amigos e arrecadar brinquedos pro natal”- conta Renato
Cavalheiro, do CTG Ronda Charrua.Ao grupo de amigos juntou-se: Alexandre Brunetto, Rafa Martins, percussionista do grupo “Mas Bah” e o Bruno Mello (La Omerta, Buenas, Talagaço). Convidando o pessoal via redes sociais, em quatro dias conseguiram mobilizar quase 50 atletas, algo em torno de 100 pessoas ao redor dando força e levando presentes (gente do Alegrete, Caxias, Passo Fundo, Porto Alegre, Campo Bom...) totalizando quase 200 brinquedos, que foram entregues na Fundação de Assistência Social de Caxias do Sul. A força do tradicionalismo independente de ser Enart ou Vacaria, estancieiro ou primitivo. Após a arrecadação dos brinquedos fizeram “chutes na trave” para descontrair.
Tropilha solidária
Todo final de ano o CTG Tropilha Farrapa, de Lajeado, realiza alguma ação solidária. Este ano, depois de uma reportagem do jornal da cidade, “O Informativo”, sobre a Associação Simon Bolívar, de um bairro carente de Lajeado, o prendado da entidade escolheu a instituição para auxiliar. “No sábado do dia 10 de dezembro, ficamos um dia inteiro no Supermercado Imec, abordando as pessoas e estimulando-as a realizarem o bem. Arrecadamos cerca de 411 kg e visitamos a associação para entregar os donativos” – conta Jessica Herrera, 1ª Prenda do CTG. Esta instituição cuida dos filhos dos papeleiros, enquanto os pais trabalham. “Fomos recebidos pelas famílias e pela responsável de cuidar deles, Dona Sandra. Foi uma experiência única que nos deixou muitos legados, como valorizar o que temos e sempre pensar no próximo” – concluiu Jéssica.
Nada nesse mundo é por acaso
Tudo tem uma razão de ser. Paulo Gomes, músico, conhecido no Rio Grande por “Gago”, reside em uma zona rural de Aguas Claras, Viamão. “Quando meu marido foi aos Correios, ver se tinha algo para nós viu uma caixa de cartinhas das crianças da comunidade, então ele pegou uma destas cartinhas, esperou eu chegar do serviço para abrirmos juntos” – conta Francielle Barth. A cartinha era de um menino com problemas de saúde, tinha epilepsia. Escreveu uma cartinha para o Papai Noel contando sua triste história e pedindo um videogame. O casal não tinha condições de dar tal presente, mas acontece que durante uma conversa, uma pessoa conhecida comprou um game novo e moderno para seu filho e queria doar o antigo (play II). Fran e Gago rezaram e agradeceram a Deus a oportunidade de fazer aquele menino sorrir.
ENCRUZILHADA DO SUL - “Grupo de Cavaleiras de Trança e Espora promoveu a segunda cavalgada da lua cheia, no dia 13 de dezembro, quando arrecadamos brinquedos e alimentos não perecíveis para as crianças da casa de passagem de Encruzilhada do Sul. Entregamos no dia 18 de dezembro” – Maria Luiza Dammé Teixeira
INDEPENDÊNCIA - “O CTG Sentinela do Rio Grande fez doações de alimentos não perecíveis e materiais de higiene para famílias necessitadas, com a ajuda das invernadas artísticas” - Luisa Tormöhlen.
BENTO GONÇALVES – “O CTG Gaudério Serrano fez campanha solidária com os departamentos cultural e artístico levando o papai Noel na carroceria junto com as prendas da entidade fomos com uma caravana nos bairros entregar doces pras crianças de comunidades carentes. Além da campanha do alimento, que foi doado a paróquia São Roque para que distribuísse as famílias que a comunidade, levamos as crianças fazerem a entrega. Eles se mobilizaram e aprenderam desde cedo a serem solidários com o próximo” – Natália Rosa.
SÃO GABRIEL – “A CTM, juntamente com seus peões e prendas e
Dep. Cultural, em São Gabriel, fez o ‘Natal Solidário’ recolhendo alimentos não
perecíveis nos mercados da cidade, no primeiro sábado do mês, e entregou no
‘Abrigo Espirita Manuel Viana de Carvalho’, e na festa de encerramento do ano da
CTM, ao invés de trocar presentes, foi dado fraldas geriátricas e leite para
doarmos também para o abrigo” – Cátia Cavalheiro.
FLORES DA CUNHA – “No dia 26 de novembro o DTG Herança da
Tradição juntamente com alguns parceiros realizou uma Ação Solidária em prol ao
Lar da Velhice São Francisco de Assis. Foram arrecadados 70 Kg de alimentos não
perecíveis e mais de 400 itens de higiene e limpeza, além de presentes da lista
de pedidos dos idosos, publicada em rede social. Foram entregues dia 15/12 pelas
prendas e peões” – Stela Paim Lemos.SÃO LEOPOLDO - "O GAN Ivi Maraé, de São Léo, entregou 150 kg de alimentos e 200 brinquedos em uma 'invasão' no bairro Rio dos Sinos e na Vila dos papeleiros. É o mínimo que fazemos para agradecer as bençãos que Deus nos dá" - Leandro Lautert.
Outras ações: Diego Deleon Vieira, em Porto Alegre. Eliete Miranda, em Viamão. Priscila Dias Ribeiro, Balneário Pinhal. PL Delfino Carvalho, em Cachoeira do Sul. Hospedaria Moresco de Chapecó-SC, mandado por Darlene Cardoso, 2ª Prenda Veterana de Santa Catarina. Rosane Donay, na Rede Solidária, em Porto Alegre.
terça-feira, 27 de dezembro de 2016
Paixão Côrtes - Terno de Reis
Recebemos esse email e com muito prazer divulgamos:
Ao Léo Ribeiro – Chasque Pampeano
A TRADIÇÃO É O PRESÉPIO
No período de festividades natalinas, que vai de 25 de dezembro a 06 de janeiro do próximo ano, festeja-se o nascimento de Cristo e a chegada dos Reis Magos junto a manjedoura, onde nasceu Jesus, após seguir a Estrela Guia que iluminou os caminhos à Belém.
O presépio, representação do nascimento de Cristo, é o símbolo do Natal, herança dos povos cristãos formadores do nosso estado, e a mais pura religiosa tradição gaúcha, o qual entendo que deveria receber a atenção dos verdadeiros tradicionalistas.
No mais é um cenário de neve, de renas, de trenós, e de pinheirinhos coloridos, de desenhos e figuras caricatas não cristãs, que servem pra antecipar os presentes que eram recebidos com a chegada dos Reis Magos, no dia 06 de janeiro.
Não é tradição herdada, é tradição criada e copiada, que os meios de comunicação divulgaram e globalizaram, só isso.
Mas, eu sigo, nos meus 89 anos, homenageando as dezenas de Terno de Reis que saem "tirando reses" neste período natalino pelo mais diferentes rincões do Rio Grande e do Brasil.
Este ano, meu Terno Virtual destaca nos seus versos o Presépio.
1980 Festival de Terno de Reis, Osório.
O meu Terno canta:
Chegada Meu senhor, dono da casa
Peço licença pra cantar
Recebei este terno
O passado vem lembrar
Vimos lhe cantar os Reis
E também lhe visitar
Ô de casa, casa santa
Onde Deus veio habitar
Porta aberta, luz acesa
É sinal de alegria
Entra eu, entra meu terno
Entra toda a companhia.
Louvação Quando entrei nesta sala
Vi um anjo em cada canto
Vi o presépio que é obra
Do Divino Espírito Santo
E nesse presépio oculto
Tão pobre de ostentação
Veio a luz o belo vulto
Que nos trouxe a salvação.
Já nasceu o Menino Deus
Numa lapa em Belém
Foram todos adorar
Adoraremos também
Reclinado num presépio
Cheio de glória e luz
Fruto da Virgem Maria
Era o Menino Jesus
Despedida Vamos dar a despedida
Como deu Cristo em Belém
Esse terno se despede
Até o ano que vem.
PEÇO QUE REENCAMINHE ESTE TERNO PARA QUE CANTEMOS EM OUTRAS CASAS ATÉ O DIA DE REIS (06 DE JANEIRO) PARA QUE REALIZEMOS A NOSSA "MISSÃO" DE "TIRAR RESES" E LOUVAR A CHEGADA DE JESUS, JUNTO AO PRESÉPIO.
MUITA PAZ E SAÚDE A TODOS ONDE ESTA MENSAGEM POSSA CHEGAR.
J.C. PAIXÃO CÔRTES E FAMÍLIA
segunda-feira, 19 de dezembro de 2016
Hoje é Dia do Pampa
Origem:
http://www.oeco.org.br/noticias/hoje-e-dia-do-pampa/?utm_source=feedburner&utm_medium=email&utm_campaign=Feed%3A+siteoeco+%28O+Eco%29
Desconhecidos, ignorados e confundidos com áreas já alteradas e de pouco valor ecológico, os Campos Sulinos formam o bioma Pampa, mais rico e importante do que sugere a esparsa consciência nacional. E o Dia Nacional do Pampa é o 17 de dezembro. Para comemorá-lo, adaptamos um trecho do livro Espécies e Ecossistemas, do nosso colunista Fabio Olmos.
Os campos naturais ocupam uma área superior a 13,5 milhões de hectares no Brasil, mas é apenas nos Campos Sulinos que elas são dominantes. Estes fazem parte do bioma Pampa, que inclui as formações campestres do centro e leste da Argentina e Uruguai, e do sul do Brasil.
Segundo o IBGE, o Pampa brasileiro ocupa uma área limitada ao Rio Grande do Sul, mas critérios biogeográficos permitem definir os Campos Sulinos como uma área muito mais extensa, com grandes manchas de formações campestres isoladas entre si por corredores florestais associados a grandes rios. Estas incluem os Campos Gerais que ocorriam do extremo sudeste de São Paulo, através do segundo planalto do Paraná até o norte de Santa Catarina. A estes se ligam os Campos de Lages e os Campos de Cima da Serra do sudeste de Santa Catarina e nordeste do Rio Grande do Sul. Os Campos de Cima da Serra e seus semelhantes em Santa Catarina e Paraná são pontilhados por capões de araucárias Araucaria angustifolia, o que lhes dá fisionomia característica.
Os Campos Sulinos são os remanescentes de um longo período climático muito diferente do atual e da mudança climática associada a uma lenta expansão das florestas ao longo dos últimos poucos milhares de anos. Esta pode ter sido interrompida por episódios como a Pequena Idade do Gelo (c. 1300-1850 DC), quando icebergs foram registrados fora do rio de La Plata e nevascas no Espinhaço mineiro. Esta substituição dos campos por florestas é um processo ainda em andamento, mediado por outros fatores além do climático e edáfico. Muitas áreas de campos estão associadas a solos rasos, bem drenados, ou a várzeas sujeitas a encharcamento prolongado, o que inibe o crescimento de árvores.
Os Campos Sulinos abrigaram até recentemente (c. 8500 anos atrás no Rio Grande do Sul, talvez até menos) uma fauna de grandes herbívoros pastadores que incluía cavalos, lhamas, toxodons e preguiças gigantes. Como nas savanas africanas atuais, esta megafauna criava perturbações que mantinham o mosaico de habitats que vai de pastos ralos e baixos a capinzais altos e densos, inibia o crescimento de árvores e removia biomassa impedindo o acúmulo de matéria seca e inflamável.
A extinção da megafauna está associada, no registro paleoambiental dos Campos Sulinos, a um aumento significativo na frequência e intensidade dos incêndios, fenômeno também detectado em outras partes do mundo após extinções similares. Este aumento está associado tanto ao acúmulo de biomassa vegetal seca e inflamável (antes consumida pela megafauna) como à intensificação das atividades humanas. O uso do fogo por povos caçadores-coletores para “limpar áreas”, facilitar a caça e mesmo como arma de guerra é uma constante em todos os continentes e este fator foi, após a ocupação humana, determinante em manter áreas de campo mesmo sob climas favoráveis às florestas.
Assim, a existência dos campos até os dias de hoje, quando as condições climáticas são favoráveis às florestas, é resultado de uma combinação de fatores. Primeiro, o atual regime climático é relativamente recente e as florestas levam algum tempo para se estabelecer. Segundo, o uso do fogo, primeiro por populações indígenas e depois por pecuaristas, retarda a expansão das florestas, enquanto favorece a vegetação campestre. O mesmo processo provavelmente manteve as áreas de campos mais ao norte, no Paraná e em São Paulo, onde campos pontilhados por araucárias ocorriam mesmo na área da atual metrópole até pelo menos o início do século XIX.
Cerca de 480 espécies de aves ocorrem no Pampa brasileiro, das quais 109 são essencialmente campestres, 126 aquáticas e 126 associadas às formações florestais que cortam os campos. As estimativas indicam pelo menos 27 táxons de aves endêmicas para o conjunto dos Pampas e Campos do Uruguai e Brasil.
Baixe aqui o pdf para ler uma versão do capítulo "Os campos e banhados sulinos", do livro Espécies e Ecossistemas, de Fabio Olmos
colaboração Hilton Araldi - Passo Fundo
domingo, 13 de novembro de 2016
XIV Encontro Bandoneon de Passo Fundo foi um sucesso
Aconteceu no último sábado (12) no anfiteatro do Colégio Notre Dame a Décima Quarta edição do Encontro Internacional de Bandoneon de Passo Fundo.
Mais de 500 pessoas prestigiaram o Evento, o que para alguns é uma repetição, para outros é sempre uma nova emoção e reviver aquele sentimento do gosto pela música refinada renovando. E a todo ano sempre há surpresas, músicos que vem pela primeira vez, outros que participaram de quase todas as edições, se deslocam de muito longe, como o caso dos argentinos que fizeram 1300 km exclusivamente para participar de mais um Encontro.
Brasileiros, Argentinos, Uruguaios, irmanados compartilhando o palco e transmitindo ao público seus dotes na execução deste instrumento magnífico, que foi inicimente desenvolvido e utilizados nas artes sacras, hoje está incorporado nos mais diversos ritmos em vários países do mundo, e talvez mais significativamente no sull do continente americano, onde é executado na Argentina e Uruguai principalmente com oo tango e chamamés e no RS, com os vários ritmos gaúchos, por vezes substituindo a gaita ou se associando a ela, em SC e Paraná, com o ritmo mais voltado as bandas de origem alemã, e em tantos outros estados e países que quem houve se apaixona.
Como surpresa este ano, a platéia aplaudio de pé a apresentação de uma jovem acompanhando o pai que tocava o bandoneon com sua flauta, o que, pela emoção levou várias pessoas da platéia às lágrimas e aplaudir de pé a menina que hora inicia sua talvez brilhosa carreira.
Momentos estes que ficarão marcados para quem pode se fazer presente que já solcita em que data se dará o XV Encontro.
A promoção contou com a plena detereminação e participação do Tio Mena, idealizador do Evento, que classificou como pleno sucesso e afirmação que o evento deve ter continuidade, por divulgar o instrumento, a musicalidade, além de novos talentos e divulgar o município como cidade dos Eventos, e o os Encontros de Badoneon vem de encontro à estas idéias e propósitos. com o apoio da SEDEC, Secretário Pedro Almeida que não mediu esforços para o sucesso do evento e sua equipe, Prefeitura Municipal através de prefeito Luciano Azevedo, Sétima RT através de D. Gilda Galeazzi e Colégio Notre Dame, além da imprensa, sites e blog tradicionalistas e de vários outros colaboradores anônimos que de uma ou outra forma colaboraram para o sucesso de Evento.
Após o Encontro os músicos e vários participantes da platéia confraternizaram em um jantar até às 2 da manhã e o que não faltou foi muita música, parceria, troca de conhecimento e o compromisso para que no ano que vem estar presentes para mais uma edição.
Fotos : Hilton Araldi
Colaboração Hilton Araldi
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